terça-feira, 21 de dezembro de 2010

PORTARIA Nº 1.396, DE 13 DE DEZEMBRO DE 2010

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

GABINETE DO MINISTRO

PORTARIA Nº 1.396, DE 13 DE DEZEMBRO DE 2010

O MINISTRO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO, no uso de suas atribuições, tendo em vista o disposto no Decreto n 5.773, de 09/05/2006, com alterações do Decreto n 6.303, de 12/12/2007, na Portaria Normativa n 40, de 12/12/2007 e no Parecer n 192/2010, da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, conforme consta do Processo n 23000.003137/2004-53, Registro SAPIEnS n 20041000921, bem como a conformidade do Regimento da Instituição e de seu respectivo Plano de Desenvolvimento Institucional, com a legislação aplicável, resolve:

Art. 1 Credenciar a Faculdade do Sertão Baiano, mantida pela Faculdade do Sertão Baiano Ltda., a ser instalada na Rua Aloísio de Castro, s/nº, no Município de Monte Santo, Estado da Bahia, pelo prazo máximo de 03 (três) anos.

Art. 2 Nos termos do art. 10, § 7º do Decreto n 5.773/2006, alterado pelo Decreto n 6.303, de 12/12/2007, os atos autorizativos são validos até o ciclo avaliativo seguinte.

Parágrafo único. Caso entre a publicação desta portaria e o calendário para a realização do ciclo avaliativo citado no caput venha a ocorrer interstício superior a três anos, a instituição deverá solicitar seu recredenciamento, observadas as disposições processuais pertinentes, tendo em vista o prazo máximo do primeiro credenciamento estabelecido no art. 13, § 4 , do mesmo Decreto.

Art. 3 Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação

FERNANDO HADDAD

(DOU Nº 238 - Seção 1, terça-feira, 14 de dezembro de 2010, pagina 44)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Avaliação Institucional mostra visão de alunos e professores


Nove entre dez especialistas defendem que avaliar os docentes dentro de um processo institucional é fundamental para o aprimoramento da relação professor/aluno e o desenvolvimento de melhores práticas em sala de aula. Na primeira vez que a idéia é apresentada aos docentes, porém, difícil é encontrar alguém que a receba de braços abertos, e mais, sem questionar a razão pela qual a instituição decidiu "supervisionar" o seu trabalho. Os questionamentos vão desde o potencial crítico e maduro dos estudantes em fazer uma avaliação eficaz, até o destino das informações sobre a performance dos mestres em sala de aula. O temor tem razão de ser, afinal, ninguém quer ser perseguido pelos resultados de um questionário. No entanto, vale destacar que mais do que levantar desconfiança, a avaliação pode ser um instrumento muito valioso para o próprio professor. A gente percebe que, no primeiro ano, os estudantes avaliam o comportamento amigável do professor e até o jeito que ele se veste. Com o tempo, começam a perceber seu papel como avaliadores e mudam seus critérios. Quando a avaliação é aplicada com eficiência, ou seja, explicando para os alunos a sua necessidade e fazendo a avaliação optativa e não obrigatória, por mais que a adesão seja baixa, os resultados tendem a ser mais interessantes.
Mais benefícios para você, professor
Além da insegurança quanto ao bom-senso dos jovens na hora de avaliar, também pesa para o professor o que, de fato, será feito com os dados da avaliação. Há o medo de repreensão por parte da coordenação da escola, de achar que após um resultado negativo suas aulas passarão a ser monitoradas ou, ainda pior, que o resultado de sua avaliação seja divulgado para os colegas. Os coordenadores do processo, por sua vez, garantem que a finalidade do instrumento está longe de servir como método repressor ou para fazer ranking de docentes, postura considera antiética pelos educadores. O objetivo é monitorar o aprendizado a fim de oferecer um ensino cada vez melhor para os estudantes e, também, ajudar os professores com suas deficiências. A finalidade é ajudar professores a identificar as deficiências em sua prática pedagógica e criar estratégias para melhorá-las em sala de aula. O objetivo da avaliação dos docentes é servir de instrumento para o aprimoramento dos docentes. E contar com um departamento de apoio pedagógico que discute com os docentes os resultados alcançados e, se necessário, acompanhar suas aulas para identificar as deficiências do professor. A avaliação não se limita ao que os alunos apontam, mas procurar uma segunda opinião,tal orientação pode partir por uma decisão do departamento pedagógico, como também ser solicitada pelo próprio professor. O objetivo é ver como ele pode melhorar uma determinada prática em relação a uma turma específica. "As turmas têm perfis diferentes, por isso, não se trata de uma punição para o professor, mas uma adaptação de metodologia," a eficácia do modelo de avaliação dos docentes por parte dos alunos ainda é muito discutida, por isso, não há adesão em algumas instituições. O principal motivo da polêmica é, novamente, a questão da maturidade dos jovens. "Em geral, os estudantes não têm consciência do que é importante para seu aprendizado. Na hora de avaliar o professor, acabam atribuindo melhores notas ao que é mais amigável e não ao professor que, de fato, produz uma transformação no seu conhecimento. Assim, tal participação é muito criticada". Existem dois modelos de avaliação de docentes aplicados no exterior, Estados Unidos e Inglaterra, respectivamente, que estão mais próximos de ajudar no processo de ensino/aprendizagem e, ainda, criar subsídios para que os professos possam aprimorar suas práticas pedagógicas. "Nos Estados Unidos, por exemplo, há instituições em que a avaliação é feita anualmente do início ao fim do curso, mas só após seu término os dados são divulgados para os professores junto a uma análise para implementar mudanças e melhorias nas disciplinas. Dessa forma, creio que seja possível fazer uma análise mais criteriosa dos dados". Já, na Inglaterra, professores são convidados para assistir as aulas dos docentes e tecer comentários sobre o que acreditam ser práticas eficientes e inovadoras. “A opinião de outros docentes, especialistas em variados modelos pedagógicos tendem a ser mais eficientes do que resultados pontuais e dispersos por parte dos alunos”.


Por Karmem Amambahy

Escola e Inclusão

A escola é uma pratica social, o trabalho pedagógico uma prática profissional fundamentais da vida civil contemporânea, que esta em descompasso comparando a efervescência de outras instituições sociais.
Sabemos que as pessoas não nascem boas ou más. É a sociedade que queira, que não, que educa moralmente seus membros, a família, os meios de comunicação, o convívio com outras pessoas tem influencia marcante no comportamento de crianças jovens e adolescentes.
A verdadeira aprendizagem se dá na mudança de comportamento na amplitude de potencial relacionando o que esta aprendendo para a vida. O que leva a viver melhor ou pior, mas indubitavelmente, a viver de acordo com que aprende.
Vivemos em constante conflito entre os diferentes membros da escola:
De um lado alunos que reclamam das obrigações, das normas rígidas, dos controles, da alienação da escola em relação ao seu mundo.
Professores que reclamam do salário, da inquietude dos alunos, da falta de infra-estrutura, os demais funcionários reclamam das questões de ordem política e salarial. Os pais cujas preocupações e insatisfações na maioria das vezes negligenciadas influenciam também nesse processo.
São vários conflitos entre as diferentes culturas envolvidas.
E o engraçado é que se o aluno aprende é porque o professor ensina se não aprende é porque apresenta alguma defasagem ou disfunção. Temos ai uma contradição lógica e uma armadilha ética. Pois ao mesmo tempo em que responsabilizamos o professor pelo sucesso do aluno, dissociamos ele inteiramente do processo concorda?
Convenhamos que seria algo equivalente as seguintes situações:
O problema do médico são dos doentes, empecilho do escritor são os leitores, o entrave do político são os eleitores. Estranho no caso escolar não parece sê-lo, tamanha naturalidade com que temos depositado nos alunos grande parte da responsabilidade sobre nosso acidente de percurso, obstáculos que predominam o trajeto dessa profissão.
Todo o tempo ouvimos “aluno problema” mas aluno problema é aquele acometido por alguma espécie de distúrbio psicológico de ordem cognitiva ou comportamental. Então o que fazer?
Um primeiro passo é repensar novos posicionamentos rever algumas supostas evidencias sobre os alunos, a questão da avaliação, por exemplo, questionar o que temos priorizado como foco de nossa atuação profissional, relação que estabelecemos em sala de aula, contrato pedagógico (combinado) com regras claras para ambas as partes, revendo sempre que necessário o que se propuseram a fazer no inicio do ano.
Uma pratica abominável é mandar o aluno para fora da sala de aula, ou encaminhá-lo para diretoria sempre que uma atitude dissonante se faz presente. Ora expulsá-lo da sala é mais do que um prenuncio da exclusão, que tanto pregamos, é ela em ato. Inclusão palavra imprescindível, mas tão pouco exercida na pratica.
Vamos pensar nisso?
Karmem Abreu Amambahy

“Bullying”: agressividade entre estudantes

Enquanto a sociedade tenta recuperar-se do choque de seguidas notícias de envolvimento de jovens de classe média e alta em brigas e agressões graves nas portas de boates e em festas nas madrugadas, variadas especulações são feitas sobre o que estaria causando tal conduta. Seriam os jovens da atual geração, “piores” do que os das gerações passadas?
Estariam eles sendo mal orientados por suas famílias? A causa poderia ser, talvez, o grande número de famílias desestruturadas? Ou a ausência de ambos os pais, com cargas de trabalho cada vez maiores? Seria, por outro, lado influência da sociedade de consumo, da mídia, dos filmes e jogos violentos? Ou isso tudo, em conjunto? Seria uma forma de resposta à violência da sociedade?
Todo fenômeno social raramente tem apenas uma causa, parece-me que, antes de se achar o(s) culpado(s), mais oportuno seria discutir a ligação entre tais atitudes anti-sociais e o fenômeno do comportamento agressivo entre estudantes, conhecido internacionalmente como bullying.
O bullying compreende todo o tipo de agressões, intencionais, repetidas, e sem motivo aparente, que um grupo de alunos adota contra um ou vários colegas, em situação desigual de poder, causando intimidação, medo e danos à vítima. Pode apresentar-se sob várias formas, desde uma simples “gozação” ou apelido, (sempre depreciativos), passando por exclusão do grupo, isolamento, assédio e humilhações, até agressões físicas como chutes, empurrões e pancadas. Pode incluir também roubo ou destruição de objetos pessoais.
Em geral, os agressores costumam ser pessoas com pequeno grau de empatia, oriundos de famílias desestruturadas, que não trabalham adequadamente a questão dos limites, nas quais não há bom relacionamento afetivo, ou em que a agressão física é comumente utilizada como forma de solucionar conflitos.

Já as vítimas são, em geral, pessoas tímidas, sem muitos amigos, introvertidas e pouco sociáveis, com baixa capacidade, portanto, de reação a esse tipo de situação. São geralmente inseguras, têm baixa auto-estima e pouca esperança de conseguir ajuda por parte dos responsáveis. Costumam ainda ter dificuldades de se integrar aos grupos de colegas
O fato de muitas vezes o bullying passar desapercebido na escola, só reforça a baixa auto-estima e a convicção de menos valia das vítimas. Algumas tendem a aceitar a agressão como se as merecessem. O fenômeno tende a levar à queda no desempenho escolar, à simulação de doenças, a um ainda maior isolamento, e até ao abandono dos estudos. Pode também gerar ansiedade grave, depressão e até suicídio.
A vítima pode passar a agressor em algumas situações, em que encontre, por exemplo, colegas que considere mais fracos ou com menor possibilidade de defesa.
Existem ainda alunos que nem agridem nem são agredidos – são os expectadores, as testemunhas das agressões. Em geral, não tomam partido por medo de serem agredidas no futuro, ou porque não sabem como agir nessas situações. Também os expectadores do bullying podem ficar intimidados e inseguros, a ponto de apresentarem queda no rendimento escolar ou ficarem com medo de ir à escola.
O bullying é mais freqüente entre meninos; entre as meninas assume forma diferente: em geral, a exclusão ou a maledicência são as armas mais comuns.

Em longo prazo, o bullying – se não combatido de forma eficaz – pode levar à sensação de impunidade e, conseqüentemente, no futuro, a atitudes anti-sociais, dificuldades no relacionamento afetivo, delinqüência ou atos criminosos. Pode também levar a atitudes agressivas no trabalho ou à violência familiar – como as que têm acontecido atualmente nas portas de boates e festas, ou, há poucos anos, na cidade de Colombine, nos EUA, e outras noticiadas recentemente, em várias partes do mundo e no Brasil, nas quais estudantes armados, aparentemente sem causa específica, entram na escola atirando a esmo, matando ou ferindo colegas, professores e outras pessoas, sem um alvo definido. É o ato final de revolta, a tentativa de se inverter uma situação de alto sofrimento, as quais não mais conseguem tolerar.
É importante esclarecer que casos de agressões, chacotas e perseguições contra um ou mais alunos não é um fenômeno novo, embora atualmente venha assumindo características mais violentas dadas a facilidade de aquisição de armas e o exemplo que adolescentes e jovens recebem com freqüência da mídia em geral.
Para os educadores, tanto na família quanto nas escolas, o que realmente importa não é criar um clima de apocalipse, muito menos de desesperança. Ao contrário, quanto mais se estuda o assunto, mais claro fica que devemos agir de forma segura e assertiva. A intervenção dos adultos e atenção ao problema deve ser estimulada em todos os níveis.
De que forma atuar?
Nas escolas são necessárias, entre outras medidas:
• Treinamento para instrumentalizar todos os que lidam com alunos, no sentido de estarem atentos e aptos a perceberem quaisquer tentativas de intimidação ou agressão entre estudantes. Para tanto, é preciso conhecer os sinais, perceber os sintomas e as atitudes que caracterizam vítimas e agressores.
• Saber de que forma intervir;

• Assegurar a todos – através de atitudes, conversas nas turmas e outras iniciativas do gênero – que os alunos vítimas ou expectadores têm, e terão sempre, a proteção dos adultos que os cercam;

• Criar um esquema institucional de responsabilização para os agressores, esquema esse de preferência não excludente, ou seja, o aluno terá que arcar com as conseqüências de seus atos, mas essas conseqüências devem ter cunho educativo, devem reverter em prol da escola e da sociedade – expulsar ou suspender o aluno não forma a consciência, nem transforma agressores em bons cidadãos. Para fortalecer os que sofrem ou presenciam o bullying é mister oferecer canais de comunicação que garantam a privacidade dos que se dispõem a falar;

• A escola deve ter uma forma única e homogênea de agir nesses casos, para que todos se sintam protegidos: corpo técnico, alunos-vítimas e expectadores (só assim o silêncio se romperá)
• Ou mais importante: medidas educacionais formadoras devem ser incorporadas ao currículo e trabalhadas por todos os professores, independentemente da matéria, série ou grupo com os quais trabalhem, dando-se especial ênfase ao desenvolvimento de habilidades sociais tais como: saber ouvir; respeitar diferenças; ter limites; saber argumentar sem discutir ou agredir; ser solidário; ter dignidade; respeitar o limite e o direito do outro, etc.
Quanto à família, é necessário, que, não só apóiem a escola em todas essas iniciativas, mas também e principalmente que, em casa, eles próprios trabalhem a questão dos limites com segurança, a formação ética dos filhos, a não-aceitação firme ao desrespeito aos mais velhos e mais fracos, enfim a família deve reassumir o quanto antes o seu papel de formadora de cidadãos, abandonando a postura superprotetora cega, e a crença de que amar é aceitar toda e qualquer atitude dos filhos, satisfazer todos os seus desejos, não criticar o que deva ser criticado e nunca responsabilizá-los por atitudes anti-sociais. Enquanto é tempo.


karmem A. Amambahy

Orientação Familiar

Sabe-se que uma das maiores causas das dificuldades na aprendizagem é a desestrutura familiar. Este fenômeno tem aumentado significativamente e provocado dissonância entre a família e a escola. Neste sentido se faz necessário oferecer a educadores, em especial aos professores da rede pública de ensino, conhecimentos teóricos em relação à dinâmica familiar no contexto atual, com especial destaque aos temas concernentes à indisciplina dos educandos, a violência escolar e o papel da escola, do estado e da família na formação de crianças e adolescentes.
O afeto é fundamental, inclusive para o desenvolvimento cognitivo. Existem algumas experiências relatadas pela Psicologia constatando este fato: macacos órfãos criados por mãe de ferro e mãe aconchegante, orfanatos que supriam todas as necessidades mas não havia afeto, outro que deixava a desejar em alguns aspectos mas o afeto era primordial, e o desenvolvimento em ambos os casos foi daqueles que predominou o afeto. Não se trata apenas de opinião, existem estudos que comprovam isso

Entrevista com Bernard Charlot

Bernard Charlot é professor de Ciências da Educação na Universidade Paris VIII.
Dedica-se ao estudo das relações com o saber, principalmente a relação dos alunos de classes populares com o saber escolar. Ele esteve no país durante o Fórum Mundial de Educação, onde concedeu esta entrevista exclusiva ao site do CRE:


Durante suas pesquisas sobre a relação dos jovens brasileiros com o saber, o que lhe chamou a atenção na escola aqui no Brasil?
BC- Numa comparação com o meu país, a França, vejo que lá a escola é uma instituição mais forte do que no Brasil, uma instituição na qual o aluno tem o direito de pertencer para aprender coisas de que ele goste ou não. Mas o que mais me chama a atenção no caso brasileiro é a importância que é dada ao lado afetivo do saber. Existe aqui uma relação muito forte entre o saber e o corpo: o saber deve ter efeitos emocionais para ter valor. E isso acontece tanto na cabeça do aluno como na da professora. Acho que por isso ela tem uma grande dificuldade em deixar de ser "tia". Isso traz um problema: se a tia não gosta do aluno, ou se o aluno não gosta da tia, ele não vai aprender.

Se o senhor fosse professor numa classe de adolescentes brasileiros, qual seria a sua preocupação hoje, na hora de planejar suas aulas?
BC- Me preocuparia com a questão da auto-estima. O adolescente é frágil e tem uma imagem frágil de si mesmo. O saber deve permitir que ele reforce essa auto-imagem, ao invés de feri-la ainda mais como muitas vezes acontece. Porque quando o saber é uma fonte de sofrimento pessoal psicológico na sua auto-estima, você tende a desvalorizar esse saber que te desvaloriza.

O que é aprender, segundo sua visão?
BC-É algo que se manifesta de formas heterogêneas e que é bem mais amplo do que adquirir um saber. É, por um lado, apropriar-se de um enunciado que só tem existência através das palavras. Mas é também dominar determinadas formas de se relacionar com os outros e consigo: a se apaixonar, a ter ciúmes... Isso tudo se aprende, não é natural. O resultado da aprendizagem, portanto, não precisa vir necessariamente na forma de um enunciado verbal. Como saber se uma pessoa aprendeu a nadar? O resultado vem inscrito no seu próprio corpo, na maneira como ela se movimenta na água. Essas formas diferentes de aprender muitas vezes concorrem entre si no mundo do aluno. O desafio da escola é fazer com que o que se aprende lá possa também permitir ao adolescente se construir enquanto sujeito. Isso nem sempre acontece, principalmente nos meios populares.

Por que alguns alunos têm mais vontade de aprender do que outros?
BC- Toda pessoa tem uma atividade intelectual, mas o fato de mobilizar ou não essa potencialidade depende do sentido que ela confere àquilo que está ouvindo e à situação que está vivenciando. Isso varia, em primeiro lugar, com a história singular de cada aluno. Ou seja, os motivos que despertam o desejo de aprender numa criança podem não ter nenhum efeito sobre outra, que tem uma história pessoal diferente. Além disso, há uma explicação de origem sociológica: sabe-se que há uma postura diferente frente à escola entre as crianças de classes médias e de meios populares. Não sabemos muito bem como a classe influencia, mas é inegável que ela tenha um peso importante.

A classe social é um fator determinante na aprendizagem?
BC- Não há uma relação automática de causalidade. O que sabemos é que existe uma correlação estatística entre a posição social do aluno e o sucesso ou o fracasso escolar. Mas não devemos esquecer de que existem crianças de meios populares que são bem sucedidas na escola. E crianças de classe média que encontram dificuldade. Nas minhas pesquisas, venho tentando descobrir por que o risco de mau êxito é maior entre alunos de classes populares. E, além disso, por que alguns deles se dão bem, a despeito das condições desfavoráveis. Essa segunda questão é muito importante, porque pode nos dizer em que direção atuar para superar o fracasso escolar.

Como o professor pode interferir na relação dos alunos com o saber, de modo a despertar o desejo de aprender nos mais desmotivados?
BC- Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que o que vai determinar a aprendizagem é a atividade intelectual do próprio aluno. O professor é importante, mas pelo efeito que ele pode ter nessa atividade. Do mesmo modo, os aspectos institucionais são importantes pelos seus efeitos sobre a prática do professor e, por tabela, sobre a atividade intelectual do aluno.
O professor deve entender que a lógica do aluno, principalmente o de classe popular, é muitas vezes diferente da lógica da escola. Nesta, é o estudante que vai realizar uma atividade intelectual para adquirir saber. Na lógica do jovem, é o professor quem vai ter esse trabalho. Seu papel é apenas sentar-se na sala e aguardar que lhe passem esses conhecimentos. O professor tem de mudar essa situação, construindo o aluno na criança, no adolescente. Esse é um trabalho ao mesmo tempo terrível e apaixonante, que não sei se é a "professora tia" que pode fazer. Acho que deveria ser a "professora professora", a profissional.

Nessa tentativa de motivar os alunos, alguns professores tentam mil coisas. Até que ponto isso interfere na relação com o saber?
BC- Ao invés de falar em motivação, prefiro falar em mobilização. Há uma diferença importante entre essas duas palavras. Motiva-se alguém de fora, mas se mobiliza de dentro. Muitas vezes, constrói-se com esse discurso de motivação uma pedagogia muito artificial, em que o professor ensina a fazer um bolo para dar aula de Matemática. Isso só terá algum efeito se o dispositivo usado fizer algum sentido para o ensino. Mas normalmente não é isso que acontece. Uma motivação externa em geral cria um sentido enviesado. O que o aluno quer ao fazer um bolo? Quer comer o bolo. Ele não está nem aí com a Matemática. Essas motivações de fora são muito artificiais.
É importante compreender que a mobilização é interna e supõe um desejo do próprio aluno. Mobilizar é fazer uso de si, para si. E isso representa uma diferença fundamental.
Como aproximar o "aprender na escola" do "aprender na vida"?
BC- Essas duas formas são diferentes, mas não deveria haver uma barreira tão grande entre elas. O estudo da história de Portugal no século XIX, por exemplo, deve fazer sentido para que o aluno entenda o que é a vida no Brasil agora e o que está fazendo aqui. A escravidão, as batalhas, as conquistas... Isso tudo deveria produzir uma reflexão para que os estudantes entendessem melhor quem eles são. Dessa forma existirão pontes entre o ensino acadêmico e o que se vive. E a aula ganhará muito mais sentido.

Como deveria ser a escola ideal?
BC- Aquela que questiona, que primeiro traz os questionamentos e só depois o conhecimento. Que mobiliza a atividade intelectual e dá sentido aos saberes. Que é respeitada como instituição. Que estimula a auto-estima, a imagem que os alunos têm de si mesmos. Aquela, por fim, em que o saber é também fonte de prazer - o que não significa que não há esforço, pois o prazer mais importante para um indivíduo é se sentir inteligente.

Qual a sua opinião sobre o sistema de ciclos?
BC - O princípio da escola ciclada é mais justo do que o da seriada. O problema é que pode haver contradições entre esse projeto político e as práticas pedagógicas da sua implantação. Na França, temos há dez anos o sistema de ciclos e quase ninguém percebeu a mudança. Por que isso acontece? Porque muitas vezes o sistema de séries permanece camuflado nas escolas cicladas. O que temos de pensar é em que práticas pedagógicas são necessárias para concretizar efetivamente o projeto político dos ciclos.

E o que o senhor pensa sobre a repetência?
BC- A repetência é ruim, quanto a isso não tenho dúvidas. Mas também acho que, na prática, um aluno que passa sem saber acaba atrapalhando a si e aos colegas. Mais importante do que ficar discutindo sobre a repetência é refletir sobre as práticas que permitem que todos os alunos sejam bem sucedidos.

Como fazer um projeto pedagógico?
BC - Na base de um projeto pedagógico é preciso haver sempre uma escolha de valores, uma representação do mundo, do ser humano e da sociedade. Definida essa dimensão política, é preciso traduzi-la para a especificidade da escola, para a esfera pedagógica. E aí é importante lembrar que a escola não é só o seu projeto, mas também o que está fazendo na prática, os métodos que são efetivamente utilizados, o que os alunos estão aprendendo... Proponho, aos professores, que questionem seus atos pedagógicos. Por exemplo: devo prosseguir a aula se 5 dos meus 25 alunos não estão entendendo? E quando for apenas um? Essas escolhas não são apenas atos pedagógicos, há um significado político por trás delas.

O que é preciso para construir uma escola democrática?
BC - Que cada profissional envolvido com a educação reflita sobre seus atos políticos e pedagógicos. São as nossas contradições que devemos enfrentar se quisermos construir uma escola verdadeiramente democrática.
(Priscila Ramalho)

Orientação para os filhos

A forma mais segura de educar os filhos para o mundo de hoje é estabelecer uma boa comunicação com eles. para trabalhar a educação emocional é fundamental dar bons modelos em casa. Assim, é importante a maneira como os pais lidam com as próprias emoções e como se apresentam para os filhos são pessoas que erram, sentem, reconhecem suas falhas e enfrentam com maturidade e responsabilidade seus conflitos? É preciso dar modelos reais em contraposição à tendência, em determinadas fases do desenvolvimento, de mitificar os adultos.
O importante é que o diálogo ajude a criança/adolescente a reconhecer o certo e o errado a partir dos conceitos e valores apreendidos durante toda sua vida. Importante também nessas ocasiões é dar ênfase à relação entre atos e consequências, escolhas e responsabilidades.
A avaliação do que é certo ou errado depende de vários fatores, dentre eles o conjunto de regras internalizadas pela criança (ou jovem) a partir do seu relacionamento com a família e com os grupos sociais aos quais ela pertence – e aqui se inclui a escola”. Passado o choque da decepção, vem a compreensão de que certos atos têm conseqüências cuja responsabilidade o autor das ações deve assumir.
Citando Piaget (um estudioso do desenvolvimento cognitivo), a psicopedagoga explica que “crianças de aproximadamente cinco/seis anos têm como característica o absolutismo moral, ou seja, elas consideram as regras estabelecidas de maneira absoluta e inflexível. Assim, as regras de um jogo, por exemplo, são absolutamente fixas. Nesse estágio, uma criança considera que todas as quebras de regras resultam inevitavelmente em punição por parte dos adultos e julga as ações como boas ou más em função de suas consequências e não com base nas intenções de quem as executou. Conclusões do tipo “quem quebra seis copos sem querer é mais malvado do que quem quebra um de propósito” são comuns nesse estágio.
Já em torno dos sete anos, a criança desenvolve uma moralidade autônoma, ou de reciprocidade, na qual as regras são percebidas de forma mais mutável. Regras de jogos podem ser modificadas em comum acordo com os participantes. “A criança passa a notar, então, que violação de regras não resulta sempre em punição e leva em conta no seu julgamento moral as intenções de quem realiza as ações”.
"Então, ao conversar com a criança é preciso levar em consideração as limitações impostas pelo seu estágio de desenvolvimento para que a linguagem esteja adequada e se possa explorar apropriadamente sua capacidade de compreensão."
Se, infelizmente, as crianças estão mais expostas a esse tipo de notícia e de decepção, temos que usar essa mesma fonte para ajudá-las a desenvolver um olhar atento e crítico e reforçar valores fundamentais para que elas se desenvolvam como cidadãos e cidadãs (do bem).

Avaliação Escolar

É o processo que possibilita conhecermos a fundo a qualidade dos serviços, e do ensino. Momento para sabermos dos nossos alunos o que está certo e o que podemos melhorar.
Quando pensamos em avaliação escolar, as primeiras ideias que surgem são: avaliação do aluno (realizada pelo professor), notas, aprovação e reprovação, sucesso e fracasso, premio e castigo. Mas sempre do aluno. Por quê? Será o aluno o único sujeito que merece ser avaliado na escola? Será que ele é a única personagem importante dessa instituição? (E não é a mais importante?) será que na escola é só ele quem deve aprender? Será que, sozinho, ele faz o sucesso e o fracasso escolares?
Vamos buscar, juntos uma maneira de pensar a avaliação escolar para que ela venha a ser, realmente, mais um recurso pedagógico que contribua para que a escola possa desempenhar seu papel na educação e na formação do aluno-cidadão.
Ora, o aluno precisa, sim, aprender, e é uma personagem muito importante, se não a mais importante, no contexto escolar. Mas há outros elementos a considerar. É pensando no aluno, nos seus direitos á educação e á cidadania, que a escola deve se organizar e se estruturar. Essa organização resulta do trabalho de diversas pessoas, em diferentes níveis do sistema educacional. A forma como uma escola se acha organizada é expressão das ideias daqueles que dela participam e daqueles que elaboram as diretrizes para a sua organização seja em nível municipal, estadual, seja federal.
Se a organização da escola envolve tantas pessoas (direta ou indiretamente), tantas normas, diretrizes e parâmetros, na tentativa de assegurar uma boa educação aos alunos, por quês era que, ao pensar em avaliação, penamos em avaliar primeiro ou somente o aluno? E mais: pó que a idéia de avaliação esta sempre associada á idéia de erros, falhas. Limitações, deficiências?
Na avaliação teremos sim o aluno como o principal sujeito do processo ensino-aprendizagem, mas não o único a ser avaliado. Ele será um dos elementos desse processo que participará da avaliação, de diferentes formas e em diferentes momentos. Mas antes de penarmos em avaliar o aluno, é necessário que pensemos na avaliação de uma maneira mais global, envolvendo tudo e todos que participam do processo educacional que acontece na escola. Quando todos participam, todos avaliam e são avaliados.
A avaliação esta presente em nosso cotidiano, escolar ou não. Pois avaliar é refletir sobre uma determinada realidade, a partir de dados e informações, e emitir um julgamento que possibilite uma tomada de decisão.
Infelizmente ainda temos professores que medem a aprendizagem de seus alunos, em vez de avaliar, por que registram os dados obtidos, anotam, e em seguida guardam esses dados.
Medir é apenas descrever uma realidade, ou seja, é obter dados e informações sobre ela. Enquanto avaliar permite fazer sugestões, encaminhamentos, tomar decisões.
Exemplo disso é uma professora que corrige as provas de seus alunos, atribui à nota e comunica o resultado a seus alunos e aos pais. Ou dá a nota e organiza um quadro para expor os cinco melhores.
Outra corrige as provas, identifica as questões que seus alunos não conseguiram responder, procura saber o porquê das dificuldades e depois planeja novas atividades para eles. Ou atividades de recuperação.
Avaliar é mais que medir. A medida limita-se a constatar uma realidade, a obter informações.
A avaliação antecede, acompanha e sucede o trabalho pedagógico, possuindo, pois, funções diferentes conforme o momento em que acontece. É o ponto de partida e ponto de chegada de todo e qualquer trabalho pedagógico. É a reflexão sobre a prática pedagógica da escola, buscando nos dados da realidade elementos que possibilitem a emissão de um julgamento de valor, visando a uma tomada de decisão.
Referencias:
LUCKESI. C.C. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 1995.

O grande líder

Por Sidnei Batista
O tema liderança está em destaque há alguns anos e, certamente, permanecerá como foco da atenção do universo corporativo por muito tempo. Nada mais natural quando consideramos a complexidade atual do mundo do trabalho, os desafios sócioeconômicos da globalização, a compreensão das empresas como espaços de desenvolvimento e realização tanto profissional quanto pessoal, o avanço de novas tecnologias, entre outras questões. As empresas necessitam de lideranças capazes de conduzi-las rumo a seus objetivos estratégicos, superando todas as dificuldades e cumprindo sua missão e visão.
As crises que temos visto ao longo das últimas décadas tornaram demasiadamente claras as diferenças entre lideranças reais e lideranças abstratas ou pseudolideranças.
Em todos estes casos, lideranças reais transformaram para melhor a vida em suas respectivas coletividades, o que não se pode dizer das pseudolideranças. Mas, afinal, quais as diferenças entre líderes reais e pseudolíderes? O que forma uns e outros? Ao nos voltarmos às organizações, poderíamos acrescentar mais questões: como as mesmas podem encontrar e/ou preparar seus líderes? Quais referências podem ajudá-las na tarefa?
Tais perguntas são absolutamente pertinentes e merecem nossa atenção. Vamos tratar disso a partir de agora. Começamos definindo um líder real: é aquele capaz de inspirar o pensamento e o comportamento das pessoas. Sua presença e sua atuação conduzem as pessoas e equipes ao seu redor, mobilizando-as e gerando avanços qualitativos. Um pseudolíder, ao contrário, não inspira coisa alguma, e sua presença geralmente passa despercebida.
É fácil identificar uns e outros, nós crescemos convivendo com ambos. Basta um esforço de memória para resgatar os professores que tivemos. Aqueles professores que nos marcaram certamente eram líderes reais, e exercitavam sua liderança na área da educação inspirando pensamentos e comportamentos nas crianças, nos adolescentes e na comunidade escolar de forma geral.
No entanto, um líder não nasce pronto, como muitas vezes ouvimos, e não encontra suas qualidades de repente. Ele se faz ao longo de uma história de vida, com permanente aprendizado e vontade de avançar. Investe em si mesmo, e se torna melhor passo a passo. Isso explica porque grandes líderes atingem seu máximo reconhecimento na maturidade. São como os ótimos vinhos: quanto mais maduros, melhor!
Há, em minha opinião, um conjunto de cinco competências essenciais ao líder. Estão classificadas de forma didática em blocos complementares para facilitar sua visualização: competência ética, intelectual, comercial, comunicacional e empreendedora.
Sucintamente, falaria da capacidade de mobilizar o que há de melhor em cada liderado pela competência ética, o exemplo de comportamento diante das situações sempre encontrando formas de lidar respeitosamente com as referências alheias, enquanto assintoniza as suas próprias; pela competência intelectual, o domínio do assunto com o qual trabalha e a capacidade de pensar e decidir; pela competência comercial, expressa no saber navegar nas pressões do mercado encontrando rotas firmes rumo aos resultados; pela competência comunicacional, com a qual consegue estabelecer contatos, gerar parceiros, criar vínculos e reunir as diferenças; e pela competência empreendedora, sem a qual jamais poderia transformar suas potencialidades em ação.




10 ótimas razões para mensurar a satisfação interna
Por Patrícia Bispo
Não existe algo mais arriscado para um dirigente organizacional do que desconhecer a realidade que está além das janelas e da porta do seu confortável escritório. Para muitos, as suas empresas são restritas às salas onde ocorrem as longas e exaustivas reuniões estratégicas e às conversas que podem gerar novos contratos. Contudo, para que as ações aconteçam e os acordos sejam cumpridos é indispensável que a empresa conte com o comprometimento dos profissionais dos mais variados níveis. Isso, por outro lado, só ocorre quando a alta direção reconhece que sua companhia é formada por pessoas que podem ou não estarem motivadas. Por isso, mensurar a satisfação interna é algo que não deve ser relegado a um segundo plano ou lembrado apenas quando o barco está preste a afundar. A seguir, confira boas 10 razões para se mensura a satisfação interna.
1 - Atração e retenção de talentos. Esse é um dos primeiros fatores para que a empresa realize, periodicamente, a mensuração de satisfação interna. Afinal, quem gostaria de ingressar ou permanecer em uma equipe, onde a grande maioria dos profissionais está estressada, apresenta péssimo humor e só fala "mal" de tudo e de todos?
2 - Vale lembrar que pela realização de uma pesquisa de clima, por exemplo, a organização tem a chance de identificar quais os fatores que promovem o esfacelamento das equipes, principalmente, aqueles que são agentes causadores de conflitos.
3 - Quando a empresa promove uma pesquisa de clima organizacional e usa essa ferramenta de forma adequada, inclusive, utilizando seus resultados para promover mudanças positivas, os profissionais sentem-se valorizados. Afinal, eles foram ouvidos e suas opiniões são importantes para a organização. Quando isso ocorre, o colaborador percebe que ele não está ali por acaso, mas que sua atividade é valiosa para o negócio.
4 - Através da mensuração do clima interno é possível identificar os pontos fortes, os que precisam ser trabalhados e até os que necessitam ser substituídos com de imediato. Além da economia de "cifras" para a companhia, os profissionais são poupados de situações desgastantes e a obtenção ou a superação de resultados torna-se mais focada.
5 - Uma vez identificado os pontos fracos e os que precisam ser substituídos, a empresa tem a chance de investir em ações eficazes, que gerem resultados mais significativos e, em alguns casos, em um tempo menor do que o esperado. E todos sabem que otimizar tempo no dia a dia corporativo, é um diferencial para ações estratégicas.
6 - Ao se preocupar como está o clima interno, a companhia abre as portas para ficar mais próxima dos funcionários. Quando isso ocorre, as chances de fazer com que os profissionais vistam a camisa da empresa tornam-se maiores e o comprometimento torna-se uma conseqüência natural.
7 - Muitas vezes, as organizações oferecem salários atraentes, benefícios diferenciados, mas perdem profissionais para a concorrência. A questão sempre surge: Por que isso acontece com freqüência? A resposta para essa indagação pode ser encontrada, quando a companhia preocupa-se com os percentuais de satisfação interna.
8 - A mensuração do clima interno traz outro benefício significativo para a empresa: se em uma pesquisa abre espaço para questões abertas, onde os profissionais podem apresentar sugestões, ideias, informações, é possível que surja algum fator ou um diferencial que faça a organização otimizar processos e reduzir custos.
9 - Ao avaliar o clima interno, a empresa tem a chance de identificar quais os gestores que são condizentes com seus valores corporativos e quais os pseudolíderes que só exercem o autoritarismo e contribuem para o aumento dos percentuais de turnover.
10 - A empresa que conhece o clima que em vivem seus colaboradores, também é capaz de identificar onde e como investir no talento dos profissionais, inclusive no que se refere ao desenvolvimento e à melhoria da qualidade de vida no trabalho. Isso porque ao ser ouvido, o colaborador revela quais seus sonhos pessoais e profissionais que o farão permanecer ou procurar novos desafios.

Por que é tão difícil mudar um comportamento?
Por Rodrigo Ramos
A razão prevalece sobre a emoção, ou é a emoção que fala mais alto que a razão? Eis a questão! Não é à toa que o velho slogan pronunciado diversas vezes no nosso cotidiano (se conselho fosse bom!) entra como uma luva no decorrer das décadas. Por que é tão difícil mudar o comportamento de uma pessoa? Por que, mesmo através de conselhos repetitivos, existem pessoas que preferem fazer as coisas do seu jeito, mesmo sendo o jeito improdutivo ou errado? O que faz um bom conselho perder sua força?
Seguindo a visão da psicanálise, através das ideias de pensadores como Freud, Lacan e Jorge Forbes, acredito que existe uma espécie de curto circuito na relação entre mente e corpo. Isto se torna perceptível quando paramos um pouco para refletir que não somos máquinas e nem perfeitos, que mudamos nossas emoções a todo o instante, que escorregamos, erramos e que, conseqüentemente, também temos sonhos, fantasias e desejos que vão além da nossa ilusão racional de completude. Ou seja, a nossa razão pode desejar a perfeição, desejar que a nossa trajetória seja estável, consistente e sem erros, mas sempre existirá o outro lado da nossa intimidade que nunca poderemos controlar. E isso, paradoxalmente, é muito bom, pois nos protege da possibilidade de acreditarmos que somos figuras padronizadas, sem desejo e singularidade.
Para clarificar mais a discussão, vou discorrer o texto dividindo as ideias e diferenciando a mente racional do corpo emocional. Podemos dizer que a mente racional relaciona-se muito bem com as ideias de perfeição, de completude, daquilo que é certo e moralmente correto. Já, quando falamos do corpo emocional, levamos em consideração o lado da vida que, a maioria das vezes, não está em harmonia com as ideias impostas pela razão. O corpo emocional está mais relacionado ao inconsciente, a parte fora da série, daquilo que, segundo Chico Buarque, escapa ao sentido.
Para ilustrar melhor, podemos citar o exemplo do motorista que percorre por uma rodovia com limite (mente racional) de velocidade de 100 km/h, mas prefere (corpo emocional) dirigir a 200 km/h, porque provavelmente lhe dá mais prazer "andar fora da linha", mesmo tendo noção do excesso cometido. O corpo acaba falando mais alto! Outro exemplo clássico e interessante é o da pessoa que fuma dois maços de cigarro por dia (corpo emocional), tendo total consciência (mente racional) sobre os males que o fumo lhe causa. Ou podemos citar o comportamento da pessoa consumista, que sempre quando passa ao lado de uma loja acaba gastando uma fortuna, mesmo consciente da falta de crédito e do excesso de dívidas.
Olha só que curioso! Ao refletirmos sobre exemplos triviais, já começamos perceber que no cotidiano do humano existem constantes conflitos internos entre a mente racional e o corpo emocional, irracional e inconsciente. É por este motivo, entre outros mais, que é tão difícil mudar um comportamento da noite para o dia. Muitas vezes, acessar somente a consciência através de conselhos não é o bastante para mudar uma atitude, ou mudar um método de como fazer as coisas. É preciso ir além da consciência, pois é necessário que o seu corpo emocional, e muitas vezes, seu inconsciente sejam tocados para ocorrer êxito. Quando não existe uma transformação neste sentido, percebemos uma mudança rasa, superficial e sem força.
Para descermos mais no assunto, gostaria de propor alguns pontos de reflexão para fortalecermos a nossa discussão: vamos falar um pouco da relação entre comportamento e prazer.

A relação entre comportamento e prazer
Seguindo as trilhas de Freud, em seu Best seller, Para Além do Princípio do Prazer, podemos notar que nesta grande obra o Pai da Psicanálise expõe de forma brilhante a existência de uma energia presente no comportamento do ser humano que vai além do equilíbrio, além das necessidades básicas, que nomeou de Pulsão. Sendo simplista na explicação, podemos descrever a Pulsão como uma energia que vai além do equilíbrio, que excede os limites da harmonia, que se repete e é dotada de prazer e, ao mesmo tempo, desprazer.
Para clarificar o conceito, podemos usar o exemplo da mulher que permanece casada durante décadas com o mesmo marido, mesmo sendo violentada verbalmente e fisicamente. Todos podem escutar suas lamentações, que seu casamento é terrível, que ele não presta, porém, não tem coragem de acabar com a "estabilidade" do matrimônio. É preferível sofrer com o que se tem, para evitar a dor de nada ter. Ela vive, ao mesmo tempo, o desprazer dos insultos lançados pelo marido e o prazer de manter o casamento em "equilíbrio", de estar com alguém, mantendo a ilusão do famoso slogan: "até que a morte os separe".
Outro exemplo interessante, que ilustra o paradoxo entre um comportamento dotado de prazer e desprazer, seria do próprio dependente químico que, mesmo consciente dos males que a droga lhe causa, permanece viciado. Basta escutarmos nos noticiários o quanto é difícil e paradoxal o relacionamento do dependente com a droga: "Isso aqui não presta, só faz mal, mas não consigo viver sem".
Agora, trazendo para a realidade profissional, o mesmo acontece com as pessoas insatisfeitas e frustradas com seus empregos atuais, que ficam paralisadas na hora de tomar uma decisão para mudar o ambiente, ou de ambiente, porque se acomodam no status quo e, por este motivo, também sentem sua cota de prazer na "estabilidade" ilusória. Ou seja, podemos concluir que, mesmo prejudicadas, pessoas que permanecem com a mesma forma de pensar, de se comportar, com o mesmo padrão, relacionamento afetivo péssimo, ou com o mesmo emprego ruim, carregam suas pitadas paradoxais de prazer e desprazer. Enfim, o ser humano e suas ironias. Agora, gostaria de correlacionar tudo isso que trabalhamos com outro ponto importante: a repetição do comportamento.
O comportamento repetitivo, para o bem ou para o mal

Outro ponto de reflexão que nos ajuda a pensar sobre o que faz as pessoas permanecerem com seus comportamentos engessados, acompanhados de prazer e desprazer, é a repetição constante. Pensando de forma lógica, aquilo que causa prazer e/ou desprazer, também causa repetição. Pontos de satisfação causam repetição. Crianças costumam fazer isso constantemente. Pedem toda hora para repetir de forma incansável uma atividade que lhes trouxe satisfação corporal. Já, quando crescem e se tornam "crianças-adultas", continuam repetindo comportamentos inconscientemente prazerosos e/ou desprazerosos.
É o que acontecia com um ex-colega de trabalho, que tinha satisfação em ser espaçoso. Interrompia as pessoas, falava alto, gritava e dispersava todos repetidamente. Este era o seu "barato", o seu "jeitão" de ser, pois tinha prazer em fazer isso, mas não tinha a menor consciência dos impactos que causava nas pessoas. No entanto, quando recebeu o famoso feedback sobre seu comportamento, os problemas começaram a surgir. Passou a vivenciar conflitos entre a mente racional e o corpo emocional. Sua mente racional dizia que deveria "arrumar" seu comportamento para não invadir o espaço das pessoas e o seu corpo emocional agia conforme o jeito espaçoso (e prazeroso) de ser. Olha só! Surge novamente o paradoxo entre prazer e desprazer. Sua mente racional gritava alto, dizendo que devia mudar e isso lhe causava muito desprazer. Porém, o seu corpo emocional continuava gozando do ato e isso lhe causava prazer. Após certo tempo, não teve jeito, nosso colega de trabalho foi procurar um lugar onde pudesse aumentar seu espaço, pois o contexto cultural onde trabalhávamos não permitia pessoas desse "estilo". Uma hora ele acertará sua trajetória.
Mas o que fazer para inserir nossas diferenças comportamentais, algumas insuportáveis, na relação com os outros?
Comportamentos prejudiciais devem ser eliminados?
O que fazer para solucionar os conflitos entre mente e corpo? Será que é preciso cortar o mau pela raiz? Será que é necessário punir aqueles que se comportam de maneira improdutiva? Será que deveríamos encaminhar todos os errantes para uma clínica da "padronização", para que sejam orientados de forma ortopédica? Creio que não. Não devemos e não podemos corrigir o ser falante, engessando seu comportamento e o adequando ao contexto, mas diria que a solução, como diria Jacques Alain Miller, seria legitimar suas diferenças. Não no sentido de aceitar o comportamento destrutivo do outro. Legitimar não é deixar o outro fazer o que bem entende, mas também não significa eliminar o mau pela raiz.
Se nos espelharmos em qualquer exemplo de vida, podemos perceber que as pessoas não eliminam seus comportamentos ruins, mas simplesmente conseguem realinhar a energia para uma coisa boa, ou melhor, construtiva. Um amigo meu, que se tornou um excelente palestrante, não por acaso, quando era jovem, gostava de se exibir, contava piadas na escola e adorava provocar as pessoas. Por conta deste comportamento, passou por diversas situações complicadas até perceber que poderia transformar seu defeito em qualidade.
Percebeu que poderia reinventar sua exibição e seu jeito provocador de forma construtiva e não destrutiva, como vinha fazendo. Percebeu que poderia usar suas ferramentas, anteriormente maléficas, para estimular as pessoas a se desenvolverem através da linguagem. Meu amigo não poderia eliminar um comportamento tão enraizado no seu inconsciente corporal, mas percebeu que poderia resolver o conflito do prazer e do desprazer, canalizando sua energia, seu "barato" para algo que enriquecesse o outro. Isso passou a ser a sua missão. Ele simplesmente lapidou o seu carvão na busca eterna pelo seu precioso diamante.
Que maravilha que é o ser falante! Quanto mais consegue ajustar seus comportamentos prejudiciais, canalizando sua energia para atitudes construtivas, sem arrancar o bom "barato", consegue se aproximar daquilo que é mais singular em seu íntimo. Mas este é um assunto para outro artigo.
Faça bom proveito de si, ou como diria o filósofo Martin Heidegger - devore o teu Dasein!